Bem, meu primeiro escrito nesse blog será justamente para explicar o nome do mesmo. “Pasárgada” – Lá a existência é uma aventura [...] – Quem nunca ouviu falar nesse célebre poema do escritor Manuel Bandeira? Quem já ouviu ou leu, ótimo! Quem não, vou fazer uma pequena síntese... Primeiramente, quem é esse tal de Manuel Bandeira? Simplesmente um ícone da nossa literatura! Um dos melhores escritores de todos os tempos! Escreveu com simplicidade nas palavras, escreveu com a alma, com amor... Criticou, exaltou, sonhou, chorou... Viveu! E marcou, com certeza, o cenário da Literatura Brasileira.
Toda sua vida foi dedicada às artes. Ainda jovem descobriu que tinha tuberculose (doença que afetava muitos jovens daquela época, ficou conhecida como “mal do século”). Então em um momento de grande desânimo da vida, profundo desalento e angústia, Manuel escreveu um poema que mais tarde se tornaria sua marca registrada: “Vou-me embora pra Pasárgada!”. Nesse poema, Manuel imagina um lugar de fantasias, sonhos... Onde tudo seria possível: “Lá sou amigo do rei, lá tenho a mulher que quero, na cama que escolherei...”. Pasárgada seria um lugar de refúgio, um paraíso, onde se poderia ser livre para fazer o que quiser. É com esse pensamento que eu decidir colocar o nome desse blog de “Pasárgada”. Pois será aqui que poderei me libertar... Libertar meus pensamentos. Será meu lugar de “refúgio”, assim como foi para Bandeira. Farei desse blog meu baú de pensamentos, lembranças, sonhos, desejos...
E agora deleitem-se com o famoso poema...
VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe - d’água.
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

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